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segunda-feira, 1 de março de 2010

Cantada Infalível

O Poema mais bonito e sincero do mundo. Com essas palavras não existe jovem donzela que resista. Usem esse poder com sabedoria.


Venho, através dessas mal traçadas linhas falar que eu não to mais na putaria, na cachorrada,
na servengonhice, na sodomia.
Amo você!!!

Detalhe importante. Como donzelas estão bem difíceis de se achar (e as que se acham deixam de ser...), vai ser um pouco difícil de encontrar alguém que caia nisso... Tirando esse pequeno detalhe, vai fundo garanhão!!!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Inertia

Inertia

É sempre igual. Todas as vezes.

Eu me levanto, as pernas trançam, o prato voa da minha mão. Os grãos de arroz voam também, em uma coreografia aérea meticulosamente ensaiada. O copo fica firme na mão direita em uma espécie de teimosia inanimada.

A faca e o garfo caem primeiro, tilintando em ecos pelo chão da cozinha. Depois é o prato, que se despedaça em mil cacos. Então a mão com o copo desce, tentando proteger o corpo que cai em seguida. O copo quebra e rasga pele, carne, tendões. Os cacos voam, a luz reflete os pedacinhos como pequenos brilhantes de segunda categoria. A cabeça bate no chão, o supercílio abre, o sangue jorra. O joelho tomba sobre um caco pontudo e também rasga. Há uma dor aguda e eu apago.

Mas eu menti. Não é sempre igual.

Às vezes é um carro que passa o farol vermelho, buzina e eu não ouço por causa do som do último álbum do Metallica explodindo nos fones do meu ipod. Às vezes é uma dor de cabeça pulsante que aumenta e aumenta enquanto o repórter dá as esclações dos times na TV, antes do jogo. E às vezes eu não sei o que é, porque vem durante o sono, sem que ninguém perceba até que seja tarde demais.

Mas é sempre comigo. Sou sempre eu.

Porque é mais fácil entender quando acontece com a gente. É mais fácil encarar. É mais fácil ir embora da festa antes que ela acabe. É muito mais fácil que ficar sozinho no salão vazio, depois que todos vão embora.

O problema é que quando a gente vai, ou quando a gente deixa que a inércia nos leve junto porque alguém ou algo se foi, há sempre alguém que fica sozinho por isso. Alguém que sente a dor que devia ser sua. A dor que devia ser minha. Por sua causa. Por minha causa.

É por isso que minhas pernas não trançam, os graõs de arroz não voam e a luz não reflete os pedacinhos do copo como pequenos brilhantes de segunda categoria. É por isso que ouço a buzina e deixo que o carro passe. É por isso que a dor de cabeça não vem. E é por isso que depois de um sono tranquilo, acordo no dia seguinte para mais um dia de sol.



Roubado de Dr. Careca. Não resisti. Depressão, solidão e Metallica em um só texto é de mais pra mim!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fantasma do Passado..

Loop

Mesmo depois de eu ter acordado
Você ainda insiste em me enganar?
Não vé o quanto isso me machuca?
Por favor, pare!
Não quero reviver isso,
Não posso!

Para que sonhar novamente,
Se um dia iremos acordar?
Então o sonho se torna um pesadelo
Nosso lindo vale
Ira se tornar um inferno
De culpa, arrependimento e ódio

Mas você é uma terrível sereia
Com poderes de medusa
Sua linda voz me atrai
E seu olhar petrificante
Transforma meu coração em pedra
Por Favor, deixe-me ir

Quero ser livre!
Livre para viver!

Mas qual a vantagem de ser livre...
Se sem você não vale a pena viver...

Tenho pouco tempo
Não adianta lutar contra isso
Fingir que não te quero
Caio em lágrimas sozinho
Quando me lembro do teu canto

Tudo o que eu queria agora
Era poder sonhar novamente
Voltar pra fantasia
Voltar pra ilusão
Que um dia vai acabar
Novamente...

E a história voltara ao inicio
Num ciclo sem fim
Minha sereia,
Minha medusa...


Nada pra fazer fui arrumar umas paradas em casa e acabei achando uns cadernos beeeeeem antigos. Ai tem uns textos/desabafos da época que eu ainda era inocente... Como nunca mais postei nada e o blog esta com alguns poemas (muito bons), resolvi publicar isso...
afinal, a história sempre se repete, num ciclo sem fim!


Enquanto chove na RMR...

Chove enquanto vivo

A chuva na infância
Quando eu me sentia triste
A chuva da arrogância
Nos faz crer que o nada existe

A chuva da adolescência
Me negando os raios solares
A chuva da carência
Destruindo bairros e lares

A chuva do desespero
Inunda um rosto entristecido
A chuva do candeerio
Que abandona um povo sofrido

A chuva da vida adulta
Acabando com os nossos sonhos
A chuva que não se escuta
Nos olhares mais risonhos

A chuva do perecer
Faz não vermos mais a estrada
A chuva do envelhecer
Reduzindo o amor a nada

Cristiano Cabral Marques

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mais um Spleen Noturno

Um peito vazio

Achei um coração seco na estrada
Dilacerado e totalmente corrompido
E se o dono tivesse sobrevivido
Talvez a sua vida estivesse acabada

Os corvos que dali comiam
Caiam frios e invenenados
Como os mais pobres flagelados
Morrendo onde as almas nasciam

E o cheiro vazio da morte
Levava o medo aos mais felizes
Que tentam viver sem cicatrizes
Em uma vida regada de sorte

E no momento mais imperfeito
Eu não senti o peso do mundo
Suspirei no meu último segundo
Pois faltava algo no meu peito

por: Cristiano Cabral Marques